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Edição
8
Sismos e Património Arquitectónico

Ao longo da história, Portugal tem sido atingido por vários terramotos que têm semeado a destruição entre as suas gentes e os edifícios das suas cidades. De entre esses abalos, os mais importantes foram os ocorridos nos séculos XIV, XVI e XVIII. Os danos causados foram agravados pelo facto de muitos dos edifícios conterem bens valiosos, como livros, arquivos, obras de arte, mobiliário, que se perderam entre o entulho e as ruínas, muitas vezes carbonizados em resultado dos incêndios que se seguiram.

É um facto conhecido que a integridade estrutural de muito do actual património arquitectónico português é duvidosa, por várias razões: má concepção geral da estrutura, grandes desequilíbrios de massa e rigidez tanto em planta como em elevação, baixos padrões de projecto e qualidade de construção, tanto na obra original como nas várias adições e extensões, baixa qualidade ou deterioração dos materiais, danos acumulados de anteriores terramotos ou outras causas, insuficiência de fundações.

Estas circunstâncias são tanto mais inquietantes quanto é certo que muitos dos tesouros culturais e históricos nacionais se encontram guardados em edifícios antigos, supostamente em segurança.

A aparente despreocupação em relação a este problema deve-se, provavelmente, ao facto de não ter ocorrido nenhum grande terramoto em Portugal continental nos últimos duzentos anos. Quando tal voltar a acontecer, os prejuízos serão muito graves e, se não se tomarem medidas, uma parte significativa do património cultural e arquitectónico do país perder-se-á para sempre.

Cuidar da integridade do património arquitectónico localizado em regiões sísmicas é, portanto, um assunto de importância nacional.

O ponto de partida para qualquer intervenção relacionada com a reabilitação sísmica de edifícios históricos é a sua inspecção e avaliação tendo em vista localizar, de um modo sistemático, os pontos fracos do seu comportamento sísmico, e, ao mesmo tempo, recolher as informações necessárias para a ulterior análise estrutural. Há, portanto, estudos e levantamentos que urge fazer. Parte dos monumentos portugueses não possuem, sequer, levantamentos credíveis da sua geometria, constituição e patologia.

Perante a ameaça de um sismo destruidor, é urgente cruzar a informação sobre o zonamento sísmico do país com a localização dos principais monumentos, referenciar as situações de risco de perda dos monumentos e do respectivo conteúdo, estabelecer prioridades e planear intervenções de reabilitação sísmica.

Neste contexto, intervenções como as dispendiosas limpezas da Torre de Belém, em 1997, e a do Claustro dos Jerónimos, presentemente em curso, por muito bem intencionadas que sejam, surgem bastante desenquadradas: a ênfase tem, antes, de ser posta na recolha aturada de informação que permita programar e lançar as intervenções estruturais que grande parte do património arquitectónico português precisa com urgência, se quisermos acautelar os efeitos do próximo grande sismo. Infelizmente, esse "trabalho de formiga" não é tão mediático.

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